Algumas vítimas de abuso sexual na Igreja Católica já começaram a ser informadas, por via telefónica, da rejeição dos seus pedidos de compensação financeira, num processo sensível que tem gerado controvérsia em Portugal. A informação foi avançada pelo jornal Expresso e confirmada por fonte da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
Segundo a mesma fonte, os contactos telefónicos têm sido realizados em casos considerados de “não elegibilidade”, com o objetivo de “escutar e acolher as vítimas”, antes da comunicação formal das decisões. Ainda assim, a CEP garante que todos os requerentes serão notificados oficialmente, independentemente de o pedido ter sido aceite ou recusado.
“Este é um processo de grande sensibilidade, que exige respeito absoluto pelas vítimas”, referiu fonte da instituição, sublinhando que não serão divulgados mais detalhes devido à natureza confidencial dos casos e à necessidade de proteger a privacidade dos envolvidos.
De acordo com dados divulgados pela Igreja, até ao final de 2025 foram submetidos 95 pedidos de compensação, dos quais 84 avançaram para análise da Comissão de Fixação da Compensação, após entrevistas conduzidas pelas Comissões de Instrução. Posteriormente, os bispos portugueses reuniram-se em assembleia plenária extraordinária, com a presença do Núncio Apostólico e representantes da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal, tendo definido os montantes a atribuir com base nos pareceres técnicos.
Apesar disso, parte das vítimas ficará sem qualquer indemnização, decisão que começa agora a ser comunicada individualmente.
Entretanto, a CEP deverá avaliar, no próximo mês de abril, a continuidade do Grupo Vita, entidade criada para acompanhar e apoiar vítimas de abuso sexual na Igreja, num momento em que cresce o escrutínio público sobre a forma como a instituição está a gerir este processo. Redacção

