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Sociedade

Edifício da ADIN em Nampula: Um ano depois, nem tijolo foi posto

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Um ano após o lançamento da primeira pedra para a construção do edifício da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), delegação de Nampula, o cenário é desolador: um simples muro de vedação feito de chapas de zinco e um guarda solitário são os únicos sinais de actividade no terreno onde deveria erguer- -se um prédio de quatro andares financiado pelo Banco Mundial.

A cerimónia de lançamento, a 24 de Julho de 2024, contou com figuras de peso como o presidente da ADIN, Jacinto Loureiro, e o antigo secretário de Estado de Nampula, Jaime Neto. Na ocasião, foi anunciado um investimento de cerca de 97 milhões de meticais, com promessa de conclusão em apenas um ano. Mas o tempo passou, e no local reina o abandono. A empresa M&T Empreendimentos, Lda, responsável pela obra, parece ter desaparecido do terreno.

A fiscalização da construção estava a cargo da CONSULTEC – Consultores Associados, Lda, mas também não se pronunciou até ao fecho desta matéria. O projecto foi atribuído por concurso público (Contrato: NZ-MEF-DNT-372038-CW-RFB) e fiscalizado no âmbito do concurso MZ-MEF-DNT- -360137-CS-CQS. A construção do edifício da ADIN era vista como um marco para consolidar a presença institucional da agência no norte do país, que desde a sua criação em 2020 funciona em instalações arrendadas. O novo edifício simbolizaria também o reforço do seu papel no desenvolvimento económico regional, apoiando pequenas e médias empresas e iniciativas juvenis com potencial de prevenir o recrutamento de jovens por grupos terroristas em Cabo Delgado.

Contudo, o fraco impacto da ADIN nas comunidades tem alimentado críticas contundentes. Populações continuam pobres e sem esperança. Em resposta, o governo substituiu Armindo Ngunga por Jacinto Loureiro, com a promessa de imprimir novo dinamismo. Mas, até agora, nada mudou. A equipa do NGANI deslocou-se ao local das obras para apurar o que travou o projecto. No terreno, apenas o guarda, com ar desconcertado, limitou-se a dizer: “Estou aqui apenas para guarnecer este lugar, não sei de nada.

Recentemente, uma equipa da ADIN veio ver o local e nunca mais voltou.” A ausência de explicações repete-se entre as entidades envolvidas. O director provincial das Finanças, Graciano Francisco — apontado como dono da obra — desviou a responsabilidade: “Não sei como estão a andar as obras. Sugiro que contactem a sede da ADIN em Pemba.” A direcção nacional da ADIN, por sua vez, também se esquivou. A directora de comunicação e imagem, Lalita, limitou- -se a reconhecer o atraso e prometeu um retorno que nunca chegou. “Reconhecemos o atraso, mas vou lhe responder ainda hoje.” Após várias tentativas de contacto, não houve qualquer esclarecimento adicional por parte da ADIN, da M&T Empreendimentos nem da CONSULTEC. O silêncio é total. E é este silêncio que alimenta suspeitas de que os 97 milhões de meticais possam ter sido desviados.

Diante do abandono da obra e da falta de explicações, cresce o receio de que parte do financiamento tenha sido mal utilizado ou até mesmo desviado. A ausência de prestação de contas por parte dos principais envolvidos fortalece a suspeita. Enquanto isso, a ADIN, criada para fomentar desenvolvimento, torna-se símbolo de inércia e desperdício de fundos públicos. Uma obra que deveria inspirar esperança hoje representa a frustração de uma promessa quebrada — mais uma, entre tantas, que cicatrizam o norte do país.

Por Agostinho Miguel

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