“Sumiço” de órgãos genitais é falso, diz Polícia em Nampula

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A Polícia da República de Moçambique (PRM), em Nampula, desmentiu, esta segunda-feira (27), informações sobre o alegado desaparecimento de órgãos genitais masculinos, fenómeno que vinha sendo associado à prática de “magia negra” nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Zambézia.

Segundo a corporação, os relatos não passam de desinformação que tem gerado pânico colectivo e desordem pública. Entre os dias 23 e 26 do mês em curso, a PRM registou 16 casos relacionados com a propagação dessas alegações, que resultaram na detenção de 24 indivíduos, entre supostas vítimas e suspeitos de incitação.

De acordo com o chefe das Relações Públicas no Comando Provincial da PRM em Nampula, Dércio Samuel, que falava em conferência de imprensa, a maioria dos casos foi registada na cidade de Nampula, com incidência em várias esquadras, enquanto outros ocorreram nos distritos de Eráti (Namapa), Angoche, Nacala-Porto, Meconta, Moma e Monapo.

Os episódios provocaram oito feridos, encaminhados ao Hospital Central de Nampula, além de dois mortos nos distritos de Eráti e Monapo. As vítimas mortais foram agredidas e queimadas por populares, sob acusação de prática de magia negra.

A polícia alerta que há indivíduos a explorar o pânico para enganar e roubar cidadãos, incentivando acusações infundadas contra pessoas inocentes.

“A justiça pelas próprias mãos não é permitida e todos os envolvidos nesses actos serão responsabilizados criminalmente”, advertiu Samuel, acrescentando que decorrem investigações para localizar outros suspeitos em fuga.

Por sua vez, o Hospital Central de Nampula esclarece que os casos observados estão associados ao chamado “síndrome de Koro”, um transtorno psicológico caracterizado pelo medo intenso de retração dos órgãos genitais.

Segundo o psicólogo clínico Ibrahimo Culabo, não há evidências de desaparecimento real dos órgãos. “Trata-se de pânico e ansiedade, muitas vezes influenciados por crenças culturais e stress, levando o indivíduo a interpretar sensações corporais como algo anormal”, explicou.

Dados do hospital indicam que, nas últimas 72 horas, foram registados alguns casos suspeitos, mas todos sem alterações físicas confirmadas. Após acompanhamento psicológico, os pacientes regressaram ao estado normal.

As autoridades de saúde e a polícia apelam à população para evitar a disseminação de rumores e a procurar as unidades sanitárias ou as autoridades competentes em caso de dúvida, de modo a prevenir mais episódios de violência e pânico social.

Entretanto, uma das supostas vítimas, de 17 anos, afirmou ter sentido alterações no órgão genital, mas reconhece que a situação normalizou horas depois.

Agostinho Miguel

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