O campo da Tecxmoque, na cidade de Nampula, foi palco, no último sábado (13), de uma surpresa digna de manchete. Depois de anos a servirem notícias ao público e derrotas à equipa da Coca-Cola, os Jornalistas decidiram mudar o guião e, finalmente, provar que nem sempre quem tem mais gás leva a melhor. Ao vencerem os representantes da famosa bebida nas grandes penalidades, os homens da comunicação conquistaram o torneio alusivo ao Dia Mundial do Ambiente, celebrado a 5 de Junho. Redacção
Até ao apito inicial, os números jogavam a favor da Coca-Cola. Em sete confrontos anteriores, a equipa refrigerada acumulava seis vitórias e um empate, mantendo os Jornalistas numa espécie de “seca” futebolística. Mas, desta vez, os profissionais da notícia entraram em campo decididos a produzir uma manchete diferente.
Nos primeiros minutos, Paliche e Pastilha foram os principais agitadores da partida, criando várias dores de cabeça à defesa adversária. A Coca-Cola, porém, mostrou que ainda tinha gás no depósito e apostou nos contra-ataques.
A estratégia surtiu efeito aos 27 minutos. Num lance rápido, Novas apareceu no sítio certo para abrir o marcador e colocar a equipa da Coca-Cola em vantagem. O golo parecia anunciar mais um capítulo da velha história em que os Jornalistas acabavam por sair da conferência de imprensa com uma derrota no bolso.
Com o resultado favorável, os homens da bebida mais famosa do mundo ganharam confiança e procuraram ampliar a vantagem. Mas os Jornalistas, talvez inspirados pela teimosia típica da profissão, recusaram-se a fechar a edição antes do tempo.
O intervalo chegou com a vantagem mínima de 1-0 para a Coca-Cola, mas a sensação era de que ainda havia muita tinta para correr.
Na segunda parte, o treinador Nelson Tatanha mexeu nas peças. Shaffe e Júnior deram lugar a Piri-Piri e Roia, numa alteração que acabaria por dar um sabor diferente ao encontro.
Aos 52 minutos, Piri-Piri mostrou que o seu nome não é apenas tempero. Aproveitou uma rápida jogada de contra-ataque e fez o golo do empate, devolvendo esperança à equipa dos Jornalistas e deixando a Coca-Cola sem a mesma efervescência da primeira parte.
Embalados pelo golo, os homens da imprensa passaram a assumir maior protagonismo, enquanto os adversários preferiram conservar energias e defender o resultado.
No final dos 90 minutos, o empate a uma bola empurrou a decisão para a marca das grandes penalidades. E aí, como acontece em muitas redações, os corações aceleraram e os nervos ficaram à flor da pele.
As duas equipas mostraram pontaria afinada e converteram as primeiras cinco cobranças. A tensão aumentava a cada remate, até que surgiu o herói improvável da tarde.
Discreto durante boa parte do encontro, o guarda-redes dos Jornalistas decidiu que também queria ser notícia. Com uma defesa decisiva, abriu caminho para a vitória por 9-8 nas penalidades e colocou fim a um longo jejum frente à Coca-Cola.
No final, o treinador dos campeões, Nelson Tatanha, destacou a capacidade de reação da equipa.
“Estivemos a perder por 1-0, mas reorganizámos a equipa na segunda parte e conseguimos empatar. Nas penalidades fomos mais eficazes e o guarda-redes esteve muito bem. Foi uma vitória inédita”, afirmou.
Já Hélio da Cruz, técnico da Coca-Cola, reconheceu o mérito do adversário.
“A nossa equipa esteve bem, mas cometemos erros que foram aproveitados pelos Jornalistas. Nas penalidades a sorte sorriu ao adversário. Estão de parabéns”, disse.
Entre sorrisos, abraços e fotografias para a posteridade, as duas equipas receberam taças e medalhas, encerrando um torneio que celebrou não apenas o Dia Mundial do Ambiente, mas também o espírito de convivência e fair-play.
E se há uma conclusão a tirar desta final, é simples: desta vez, a notícia foi tão forte que até a Coca-Cola acabou por perder o gás. Agostinho Miguel

