Hospital Central de Nampula nega venda de sangue e explica caso polémico

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O Hospital Central de Nampula (HCN) veio a público desmentir alegações de cobrança ilícita para a realização de transfusões de sangue, na sequência da circulação, nas redes sociais, de um vídeo que denuncia uma suposta negligência no atendimento a um paciente transferido do distrito de Malema.

De acordo com o conteúdo divulgado, o paciente teria sido impedido de receber sangue, mesmo após um familiar ter efectuado a doação, alegadamente por falta de pagamento de valores exigidos por profissionais de saúde. A situação terá levado a família a retirar o doente da unidade sanitária.

Face à repercussão do caso, o HCN convocou, esta quinta-feira (30), uma conferência de imprensa para esclarecer os factos e afastar suspeitas de eventual venda de sangue na maior unidade sanitária da região norte do país.

O cirurgião geral afecto ao HCN, António Carlos, confirmou a entrada do paciente e a ocorrência do caso, mas rejeitou, de forma categórica, a narrativa de cobrança indevida. “De facto, este paciente deu entrada no hospital e o caso ocorreu, mas não corresponde à informação de que houve venda de sangue”, afirmou.

Segundo o médico, trata-se de um paciente com cerca de 50 anos de idade, diagnosticado com tumor da bexiga em estado avançado e inoperável, estando a receber apenas cuidados paliativos. “É um paciente com doença em fase avançada. O tratamento possível é paliativo, ou seja, centrado no alívio de sintomas como dor e anemia”, explicou.

No âmbito do tratamento, foi solicitada uma transfusão de sangue, em conformidade com os protocolos do Ministério da Saúde, que preveem a reposição através de doação. “Não se compra sangue. Para que haja transfusão, é necessário que alguém doe. A família realizou a doação e possui o respectivo comprovativo”, esclareceu.

António Carlos indicou que o sangue chegou a ser administrado, mas o procedimento teve de ser interrompido por razões clínicas. “O paciente apresentou uma reação transfusional, com febre, tremores e outros sinais. Nestas circunstâncias, somos obrigados a suspender o procedimento para evitar o agravamento do estado clínico”, disse.

De acordo com o responsável, foram realizadas duas tentativas de transfusão, ambas sem sucesso, devido à resposta adversa do organismo do paciente. “Não podemos insistir quando o corpo rejeita o sangue. Isso pode colocar a vida do paciente em risco”, frisou.

Perante este quadro, a equipa médica optou por um tratamento conservador da anemia, associado ao acompanhamento paliativo, tendo posteriormente concedido alta hospitalar. “O paciente foi orientado a prosseguir o tratamento em casa, com medicação e acompanhamento adequado”, acrescentou.

O HCN reconhece, no entanto, a possibilidade de falhas na comunicação com o paciente e os seus familiares, admitindo que tal possa ter contribuído para o mal-entendido. “Pedimos desculpas se, em algum momento, não conseguimos explicar devidamente as razões da suspensão da transfusão”, referiu o médico.

A unidade sanitária assegura que o comprovativo de doação continua válido e que o paciente poderá regressar a qualquer momento para nova avaliação clínica.

“Caso o paciente regresse, o sangue será disponibilizado, desde que existam condições clínicas para a transfusão”, garantiu.

Relativamente ao funcionamento do banco de sangue, António Carlos explicou que o hospital dispõe de reservas destinadas a situações de emergência, como acidentes, partos complicados e casos críticos. “Para emergências, o sangue está disponível de imediato. Nos casos não urgentes, solicitamos a colaboração da família para doação”, afirmou.

Na ocasião, o médico apelou à adesão da população à doação voluntária de sangue, sublinhando a sua importância para o salvamento de vidas. “O sangue não se fabrica. Precisamos da solidariedade da sociedade para manter níveis adequados de stock”, concluiu. Agostinho Miguel

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