Horas extras atiram ANAPRO e ONP para confronto público em Nampula

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A tensão instalou-se no seio das organizações que representam os professores na província de Nampula. A Associação Nacional dos Professores (ANAPRO) denuncia um clima de frieza institucional com a Organização Nacional dos Professores (ONP), motivado por divergências em torno do pagamento de horas extraordinárias aos docentes.

Segundo a ANAPRO, o desentendimento ganhou força no período que antecedeu os exames nacionais do ano passado, quando o Governo anunciou a regularização dos valores em atraso referentes às horas extras. A associação diz ter levantado dúvidas sobre a viabilidade da promessa, alertando que o pagamento poderia não ocorrer dentro dos prazos avançados.

O porta-voz da ANAPRO em Nampula, Amos João Pires, afirmou que, na altura, quando o Ministério da Educação indicou que os valores seriam pagos até Outubro, a organização interpretou o anúncio como uma possível estratégia para evitar o boicote dos professores às avaliações.

Em sentido contrário, a ONP apelou à confiança nas garantias do Executivo e incentivou os docentes a participarem normalmente no processo de exames. Para a ANAPRO, essa posição enfraqueceu a unidade entre as duas agremiações, sobretudo porque, até ao momento, muitos professores continuam sem receber as horas extraordinárias prometidas.

“Fica difícil manter uma boa relação com organizações que, de alguma forma, parecem apoiar o sofrimento dos professores”, declarou Amos João Pires, reconhecendo que o mal-estar entre as duas estruturas permanece evidente.

Para além das horas extras, a ANAPRO aponta outros problemas que afectam a classe docente, incluindo atrasos no pagamento de subsídios funerários e por morte, situação que, segundo a organização, tem agravado o descontentamento nas escolas.

Face ao cenário, a associação anunciou que pretende reforçar o diálogo com a Direção Provincial da Educação e com o Governo Provincial de Nampula, na busca de soluções estruturais para os problemas do sector. A organização diz reconhecer sinais de abertura por parte do Executivo provincial, esperando maior celeridade no tratamento das preocupações dos professores.

As declarações foram feitas durante uma reunião provincial da ANAPRO destinada ao balanço das actividades de 2025 e à planificação para 2026. No encontro, a associação revelou ter executado cerca de 68 por cento do seu plano anual e expandido a sua presença para 18 dos 23 distritos da província.

Ainda assim, a ANAPRO queixa-se de obstáculos administrativos em alguns pontos da província, alegando demora na marcação de audiências e limitações ao funcionamento normal da organização. A associação fala mesmo em situações que considera violação da liberdade associativa, consagrada na Constituição da República.

Para 2026, a ANAPRO promete uma nova estratégia centrada no reforço do diálogo institucional e na defesa firme dos direitos dos professores, mantendo, porém, uma posição crítica em relação à ONP enquanto persistirem as actuais divergências. Agostinho Miguel

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