O ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, afirmou que a Estrada Nacional Número Um (EN1) poderá permanecer intransitável por um período mínimo de 15 dias, em consequência dos estragos provocados pelas chuvas intensas e cheias que afectam várias regiões do país.
Falando à imprensa na província de Nampula, durante uma visita de monitoria aos danos causados pelas intempéries, o governante explicou que as infraestruturas públicas foram severamente afectadas, com maior incidência nas províncias de Sofala, Gaza e Maputo.
Segundo Matlombe, praticamente todas as estradas registam danos significativos, sobretudo no sector rodoviário, onde se verificam cortes profundos e longos troços degradados, colocando em risco a circulação de pessoas e bens. A EN1, principal corredor rodoviário do país, encontra-se afectada em vários pontos críticos e sem condições de transitabilidade, razão pela qual o Governo desaconselha qualquer tentativa de circulação naquele eixo.
O ministro explicou que as obras de reposição só poderão avançar após a descida do nível das águas e a conclusão do levantamento técnico detalhado dos estragos, um processo ainda em curso. Nesse contexto, apelou aos transportadores e automobilistas para evitarem deslocações pela EN1, alertando que a permanência prolongada nas zonas de corte pode gerar dificuldades adicionais, incluindo falta de condições sanitárias e logísticas.
João Matlombe criticou ainda os automobilistas que insistem em viajar do norte para o sul do país, apesar dos alertas das autoridades, considerando que essa atitude acaba por exercer pressão desnecessária sobre a província de Gaza, que já enfrenta grandes desafios no apoio às famílias afectadas pelas cheias.
Para minimizar os impactos da interrupção rodoviária, o Governo activou alternativas de transporte. Entre as medidas está a cabotagem marítima para o envio de produtos alimentares a partir do Porto de Maputo para Gaza, com vista a garantir o abastecimento regular. No sector aéreo, foram reforçados os voos entre Gaza e Maputo, tendo sido transportados cerca de 1.800 passageiros num único dia, bem como as ligações aéreas para Inhambane e Vilankulo.
O transporte ferroviário também foi integrado no plano de resposta, encontrando-se operacional para assegurar o transporte de pessoas e mercadorias, de modo a evitar rupturas no fornecimento de bens essenciais.
Relativamente aos danos registados, o levantamento preliminar aponta para cerca de 150 quilómetros de estradas nacionais quase totalmente destruídas. Em todo o país, estima-se que aproximadamente cinco mil quilómetros de estradas tenham sido afectados pelas chuvas. O ministro referiu que ainda não é possível quantificar os custos de reposição, uma vez que a profundidade dos estragos continua por apurar em vários pontos.
Matlombe garantiu que uma equipa multissectorial do Governo está a preparar um plano de recuperação pós-cheias, que abrangerá estradas, pontes, edifícios públicos e o reassentamento de famílias que vivem em zonas de risco. Assegurou ainda que todos os tractores alocados aos distritos estão operacionais e a ser monitorados, esclarecendo que as pontes móveis serão instaladas prioritariamente em estradas secundárias, não estando previstas para a EN1 devido ao elevado volume de tráfego.
O ministro reiterou que a reposição da transitabilidade nas principais vias do país é uma prioridade do Governo, logo que as condições climáticas o permitam.

