A TotalEnergies está a alinhar os últimos preparativos para retomar o seu megaprojecto de gás natural liquefeito (GNL) em Moçambique, um investimento avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares norte-americanos. Apesar dos avanços, a insegurança no norte do país continua a ser o grande teste à confiança dos investidores.
O empreendimento — conhecido como Mozambique LNG — foi concebido para produzir 13,1 milhões de toneladas de gás por ano, através de duas unidades de liquefação. Porém, em Abril de 2021, a TotalEnergies declarou força maior e suspendeu todas as operações em Afungi, Cabo Delgado, após uma vaga de ataques terroristas que deixou a região mergulhada no medo e na incerteza.
Nos últimos meses, tanto a administração da TotalEnergies como dirigentes do consórcio têm deixado sinais claros: a empresa está a trabalhar para levantar gradualmente a cláusula de força maior e regressar ao terreno. O próprio director-executivo do grupo já apontou 2025 como o ano provável para a retoma, embora a confirmação dependa da evolução da segurança e das condições logísticas.
O Governo moçambicano mostra-se igualmente confiante. Maputo insiste que as bases foram criadas para garantir a retoma das actividades e não esconde o entusiasmo perante o impacto económico que o projecto pode ter no futuro do país.
Do lado da segurança, a consolidação da parceria com o Ruanda é vista como peça-chave. Em Agosto de 2025, os dois países formalizaram o Status of Forces Agreement (SOFA), documento que regula a presença das tropas ruandesas em Moçambique. Este acordo dá enquadramento legal a uma cooperação militar que tem sido determinante na recuperação e estabilização de zonas críticas de Cabo Delgado.
Na frente comercial, a indiana Bharat Petroleum Corporation Ltd (BPCL) assegurou direitos de comercialização do volume de gás correspondente à sua participação de cerca de 10% no consórcio. Embora a empresa ainda não tenha divulgado comunicado oficial, a informação já foi reproduzida em diversos meios internacionais especializados.
A história deste megaprojecto remonta a 2010, quando a então Anadarko e os seus parceiros anunciaram a descoberta de vastas reservas de gás na Bacia do Rovuma. O achado despertou uma corrida global de gigantes da energia para Moçambique, mas o entusiasmo acabou travado pela insurgência armada e pelos escândalos financeiros que abalaram a confiança dos mercados.
Agora, com sinais de estabilidade relativa em Cabo Delgado e a pressão global pela transição energética, o Mozambique LNG volta a ganhar fôlego. A TotalEnergies prepara-se para regressar — e com ela regressa também a esperança de que o gás se transforme finalmente num motor de desenvolvimento para Moçambique.

