Moçambique recebe dois milhões de dólares em Seguro Contra Secas

Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest
Pocket
WhatsApp
blank

Moçambique acaba de receber dois milhões de dólares em seguro de protecção contra secas, cobrindo a temporada agrícola de 2025-2026, no âmbito do Programa Africano de Financiamento de Riscos de Desastres (ADRiFi), do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).

É o terceiro ano consecutivo em que o país beneficia desta cobertura, que visa garantir resposta rápida e eficaz aos impactos climáticos severos.

O anúncio foi feito durante o Fórum de Financiamento de Riscos Climáticos e de Desastres de 2025, realizado de 14 a 16 de Outubro, em Maputo, sob o lema “Construir a resiliência de África através de financiamento e seguros transformadores de riscos climáticos e de desastres”. O evento foi organizado pelo Governo de Moçambique em parceria com o Banco Africano de Desenvolvimento, reunindo especialistas, decisores e parceiros internacionais para discutir soluções financeiras inovadoras para os desafios do clima.

Uma rede de protecção contra a seca

O ADRiFi é uma iniciativa continental que procura reforçar a preparação financeira dos países africanos face a desastres naturais, apoiando seguros soberanos de risco climático, modelação de riscos e integração do financiamento de catástrofes nas políticas públicas. O Banco Africano de Desenvolvimento subsidia parte dos prémios de seguro e apoia tecnicamente os países para fortalecer a sua capacidade de gestão de risco.

A Capacidade Africana de Risco (ARC) fornece o seguro e assegura pagamentos rápidos sempre que os limiares de catástrofes são atingidos — uma inovação que evita a burocracia e permite respostas imediatas às comunidades mais afetadas.

Entre os principais doadores do programa estão o Reino Unido, Suíça, Canadá, Noruega e Países Baixos, que canalizam fundos através do Fundo Fiduciário Multidoadores, administrado pelo BAD.

“Um instrumento de antecipação para proteger os mais vulneráveis”

Durante a cerimónia simbólica de entrega do prémio, a Secretária Permanente do Ministério das Finanças, Albertina Fruquia Fumane, destacou que o seguro é mais do que um mecanismo financeiro — é uma ferramenta estratégica para preservar vidas. “O seguro de risco é um instrumento de antecipação que permite ao Estado proteger os mais vulneráveis, manter a estabilidade social e mitigar os impactos económicos dos choques climáticos recorrentes”, afirmou.

O líder do BAD para o Financiamento Agrícola e Resiliência Climática, Andrew Mude, sublinhou a importância crescente de políticas de resiliência num continente onde as catástrofes se tornaram mais frequentes e intensas.

“Os impactos climáticos estão a intensificar-se em toda a África. O Programa ADRiFi já mobilizou 150 milhões de dólares para apoiar 16 países, salvaguardando mais de seis milhões de pessoas. É um exemplo de como soluções financeiras estratégicas podem transformar vidas e proteger meios de subsistência”, afirmou.

Liderança africana que inspira

Em representação dos parceiros doadores, a Embaixadora dos Países Baixos, Elsbeth Akkerman, elogiou o compromisso de Moçambique e destacou a importância da liderança africana na construção da resiliência climática. “O envolvimento ativo do Governo de Moçambique, em particular do Ministério das Finanças, demonstra uma liderança africana inspiradora. É este tipo de compromisso que garante o sucesso do ADRiFi e fortalece o continente diante dos desafios climáticos”, afirmou.

O vice-presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Riscos de Desastres (INGD), Gabriel Belém Monteiro, cuja instituição executa o programa no país, considerou o fórum “uma oportunidade para alinhar políticas, fortalecer capacidades e consolidar a liderança africana na gestão de riscos de desastres”.

Por sua vez, o presidente do Conselho da Capacidade Africana de Risco, Anthony Mothae Maruping, afirmou que a experiência moçambicana envia uma mensagem clara ao continente: “Moçambique mostra que quando África lidera com visão e unidade, África vence.”

Seguro que salva vidas

A Diretora Nacional do Programa Alimentar Mundial (PAM) em Moçambique, Claire Conan, sublinhou o carácter transformador deste tipo de seguro, conhecido como seguro paramétrico, que permite respostas automáticas e rápidas após eventos climáticos extremos.

“O seguro paramétrico é mais do que um instrumento financeiro — é um compromisso com a ação proactiva. Num contexto de recursos limitados, agir de forma rápida e baseada em evidências é um imperativo moral e económico”, declarou.

O fórum encerrou com uma visita de campo ao distrito de Magude, província de Maputo, onde os participantes testemunharam como os fundos de seguro ajudam comunidades afetadas pela seca a recuperar os seus meios de subsistência, a restabelecer a segurança alimentar e a preparar-se melhor para futuras crises.

Contexto: uma África cada vez mais vulnerável

Moçambique está entre os países africanos mais expostos aos impactos das mudanças climáticas, com secas e cheias que ameaçam ciclicamente a agricultura, principal sustento de milhões de famílias. O seguro de risco climático surge, assim, como um escudo financeiro que garante previsibilidade e resposta imediata, permitindo ao Estado agir antes que o desastre se transforme em tragédia humanitária.

Com este novo prémio de seguro, Moçambique dá um passo concreto rumo a uma gestão moderna e preventiva dos riscos climáticos, consolidando o seu papel como referência continental em políticas de resiliência e financiamento de catástrofes.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *