Não é uma piada nem um disfarce retórico. Muitos adultos e a maioria dos idosos em Portugal não têm acesso a cuidados dentários, vivem sem dentes ou com dentes degradados, com todas as consequências negativas que isso acarreta para a saúde, a autoestima e a qualidade de vida.
E não é só isso. Em Portugal, 80% dos idosos estão em risco de viver em extrema pobreza.
Chega de suavizar a realidade. É tempo de assumir o que Portugal se tornou após 50 anos de democracia. Portugal é um dos exemplos mais claros de como uma sociedade entregue a políticas socialistas se vai degradando lentamente até empobrecer de forma generalizada. É um caso particularmente relevante porque não se trata de um socialismo autoritário imposto pela força, esse gera miséria num curto espaço de tempo, mas também cria reações rápidas que levam a ruturas e mudanças de regime. Em Portugal, o socialismo foi de infiltração lenta, entrou por todos os poros da sociedade, ao ponto de a própria população deixar de reconhecer a miséria em que vive e passar a defender, com convicção, o sistema que a aprisiona.
Portugal é hoje um dos piores exemplos de liderança no mundo ocidental. Um dos piores casos dentro da União Europeia, aproximando-se perigosamente do último lugar em quase todos os rankings europeus relevantes.
Portugal já passou por três bancarrotas: 1977, 1983 e 2011. Após o fim do regime anterior, com os cofres cheios, os líderes socialistas conseguiram destruir o capital acumulado do país, levando a duas bancarrotas em 1977 e 1983. Mesmo depois de biliões de euros injetados pela União Europeia, Portugal conseguiu ainda a proeza de entrar novamente em bancarrota em 2011.
O país afastou os seus jovens. Atualmente, mais de 30% da juventude portuguesa está emigrada. Milhares de famílias foram desfeitas, privadas do convívio com os seus mais próximos, porque simplesmente não era possível construir uma vida digna em Portugal. O socialismo criou uma sociedade em que quase ninguém consegue prosperar ao ponto de viver com conforto, sem viver permanentemente em sufoco, sem a constante incerteza de saber se o dinheiro chegará até ao fim do mês. Portugal tornou-se o país dos dentes podres e das sapatilhas Quechua da Decathlon: as pessoas não têm dinheiro para cuidar de si, vestem roupa barata e de baixa qualidade porque não podem ir além disso.
Chegámos a um ponto em que os portugueses perderam a capacidade de ter casa própria. Em Portugal, os jovens saem de casa dos pais, em média, aos 34 anos. Sim, 34 anos.
Um quarto da população recebe o salário mínimo, pouco mais de 900 euros por mês. Cerca de 20% vive abaixo do limiar da pobreza e outros 20% só não caem abaixo desse limiar porque dependem de subsídios do Estado.
Portugal é um país onde as pessoas usam casacos dentro de casa porque não têm capacidade financeira para se aquecer, onde idosos morrem todos os anos devido ao frio nas suas próprias habitações.
Portugal encontra-se na 58.ª posição no índice de custo de vida, enquanto a Suíça ocupa o segundo lugar. Apesar disso, Portugal é uma das piores economias da Europa e apresenta hoje um rendimento per capita inferior ao que tinha há 20 anos.
Este é o espelho do país. Um país cujos cidadãos, em 2026, irão novamente a eleições presidenciais e voltarão a votar no socialismo que os empurrou para a miséria. Um país que, após 50 anos e biliões de euros em fundos europeus, está mais pobre, sem os seus filhos, e com uma imigração ainda mais pobre e menos qualificada do que a portuguesa das décadas de 60 e 70.
Não existe um Portugal do futuro. Existe um Portugal dizimado por políticas socialistas e assistencialistas, que afastaram os potenciais criadores de riqueza e amordaçaram os que ficaram. As pessoas vivem cada vez mais afastadas umas das outras: os filhos que não emigraram foram empurrados para subúrbios mais baratos ou fugiram de zonas que se transformaram em guetos. Sim, Portugal sofre hoje de uma guetização acelerada, que cresce todos os dias, deixando os mais idosos cada vez mais vulneráveis, isolados e amedrontados.
Ah, Portugal dos dentes podres — que insiste em votar nos mesmos que o trouxeram até aqui. O país europeu que mais acredita nos media tradicionais, o mais obediente, o que mais confia em quem o maltrata. Um verdadeiro síndrome de Estocolmo coletivo que só terminará quando já não restar nada. João Neves

