O Salão Nobre do Conselho Municipal da Cidade de Nampula transformou-se, nesta quarta-feira, num espaço de lágrimas, silêncio e despedida, durante as cerimónias fúnebres da presidente do Conselho Municipal de Angoche, Dalila Abdul Raimo Ussene, falecida na última terça-feira, vítima de doença prolongada.
A cerimónia reúne membros do Governo, autarcas, representantes de instituições públicas e privadas, líderes religiosos, comunitários, familiares e centenas de cidadãos anónimos que acorrem para prestar a última homenagem à edil que, em 2024, entrou para a história política de Angoche ao tornar-se a primeira mulher a assumir a presidência daquele município costeiro da província de Nampula.
O ambiente vivido no local é de profunda consternação. Entre abraços demorados, rostos carregados de tristeza e discursos marcados pela emoção, multiplicam-se as mensagens que evocam a trajectória política da malograda e o seu empenho na governação municipal. Vários intervenientes destacaram a sua postura considerada próxima das comunidades, bem como o esforço que vinha desenvolvendo na melhoria dos serviços urbanos, saneamento e reorganização administrativa do município.
A morte de Dalila Ussene surge numa altura em que a autarca procurava consolidar a sua liderança num município frequentemente confrontado com desafios ligados à expansão urbana, gestão de resíduos sólidos e acesso a infra-estruturas básicas. A sua ascensão à presidência do Conselho Municipal de Angoche foi vista por diferentes sectores como um marco simbólico para a participação da mulher na governação local em Moçambique.
Nos últimos meses, Dalila Ussene também esteve no centro de debates públicos e intensas discussões nas redes sociais, depois de circular informação que colocava em causa a sua nacionalidade moçambicana, alegando-se que teria origem ruandesa. Na altura, o assunto gerou forte polémica política e social em Angoche, dividindo opiniões entre apoiantes e críticos. Apesar da controvérsia, a edil continuou a exercer as suas funções, mantendo presença activa nas actividades municipais até ao agravamento do seu estado de saúde.
A presença massiva de entidades governamentais e munícipes nas cerimónias desta quarta-feira reflecte não apenas o peso institucional da figura que dirigia os destinos de Angoche, mas também o impacto humano e político da sua morte para a província de Nampula. Redacção
Foto: Conselho Municipal de Nampula

