Transporte proibido termina em 15 mortos em Tete

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Um grave acidente de viação ocorrido na tarde de quinta-feira (5), na Estrada Regional nº 303 (R303), no povoado Cantina de Oliveira, distrito de Marávia, província de Tete, provocou 15 mortos, dois feridos graves e dez feridos ligeiros, além de danos materiais avultados no veículo envolvido.

O sinistro envolveu um camião pesado de mercadorias da marca Hino, modelo 500, com matrícula AGC 823 MP, que transportava carga e passageiros — prática proibida pela legislação moçambicana.

De acordo com informações tornadas públicas pelo Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), o acidente foi do tipo despiste seguido de capotamento. Dados preliminares indicam que, ao chegar a um troço com ligeira descida, o condutor terá tentado reduzir a marcha, mas o veículo não respondeu. Em seguida, o pneumático dianteiro esquerdo terá rebentado, levando à perda de controlo e posterior capotamento.

Uma equipa técnica conjunta deslocou-se ao local e, numa avaliação preliminar, aponta como causas prováveis deficiências mecânicas associadas a velocidade não moderada. O trabalho pericial continua para o apuramento rigoroso das circunstâncias e eventual responsabilização criminal.

O condutor foi detido preventivamente por envolvimento em acidente de viação que resultou em mortes, com indícios de culpa grave, nos termos do nº 2 do artigo 153 do Código da Estrada.

As autoridades indicam ainda que o motorista violou o nº 1 do artigo 9 do Decreto nº 35/201 de 10 de Maio, que aprova o Regulamento de Transporte em Veículos Automóveis e Reboques (RTVAR), o qual proíbe expressamente o transporte de passageiros em veículos de mercadorias.

Segunda tragédia na mesma semana

O acidente em Tete ocorre apenas três dias depois de outro sinistro mortal registado na Estrada Nacional nº 6 (N6), na ponte sobre o rio Metuchira, no distrito de Gondola, província de Manica. Nesse caso, o despiste resultou em 10 mortos — incluindo o condutor —, nove feridos graves e 18 feridos ligeiros, além de avultados danos materiais.

A sucessão de acidentes graves num curto espaço de tempo reacende o debate sobre a segurança rodoviária no país, a fiscalização do transporte misto de carga e passageiros e as condições mecânicas dos veículos que circulam nas principais vias nacionais e regionais.

Em nota, o INATRO apresentou sentimentos de pesar às famílias enlutadas e apelou à observância rigorosa das regras de trânsito, à moderação da velocidade e à manutenção preventiva dos veículos como medidas essenciais para travar a escalada de mortes nas estradas moçambicanas. As autoridades prometem divulgar os resultados finais das perícias nos próximos dias. Redacção

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