Sociedade
Nampula: Presidente da CTA propõe criação de banco agrícola para impulsionar economia local
Discursando na 1ª Conferência Internacional de Nutrição e Agro-negócios(CINA I), que decorre de 10 a 11 de Julho na cidade de Nampula, o presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), Álvaro Massingue, defendeu a criação de um banco agrícola robusto, sustentado por um quadro legal adequado, que permita, de forma estratégica e sustentável, dinamizar a economia nacional a partir das comunidades locais.
A proposta surge em resposta aos alarmantes indicadores de desnutrição crónica no país, com destaque para a província de Nampula, que lidera com 47% de prevalência entre crianças menores de cinco anos, segundo dados do Secretariado Técnico para Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN). Em termos nacionais, a desnutrição afecta 37% das crianças moçambicanas nessa faixa etária, o que, para Massingue, constitui uma emergência silenciosa que compromete o futuro do país.
“Estes números não apenas revelam um desafio. São um grito de alerta para uma transformação urgente. Enquanto isso, o país enfrenta uma emergência silenciosa e persistente. Esperamos que desta conferência saiam ações concretas para reverter os alarmantes indicadores nutricionais, sobretudo aqui em Nampula, a província mais populosa do país”, afirmou.
Massingue chamou a atenção para o enorme potencial agrícola de Moçambique, lembrando que o país dispõe de 36,5 milhões de hectares de terra arável, dos quais apenas 15% estão actualmente em produção, o que, segundo ele, exige redobrados esforços na formulação e implementação de políticas públicas eficazes e inclusivas.
“Estamos a lidar com um drama nacional que compromete o desenvolvimento cognitivo, a capacidade de aprendizagem e, no futuro, a inserção no mercado de trabalho de uma geração inteira. Uma geração que corre o risco de ser excluída das oportunidades do século XXI”, alertou.
Apesar do cenário preocupante, o presidente da CTA reafirmou o compromisso da instituição em contribuir para soluções sustentáveis e de longo prazo no combate à desnutrição crónica, com destaque para o papel das empresas.
“Reitero, em nome da CTA, o nosso compromisso firme e inabalável com a causa da nutrição. Estamos a mobilizar a rede empresarial para apoiar iniciativas nutricionais, fortalecer cadeias de valor com impacto directo na nutrição e promover parcerias inovadoras que convertam desafios em oportunidades económicas.”
Massingue destacou ainda que a nutrição não deve ser vista apenas como uma preocupação social, mas como um desafio transversal que afecta directamente o sector empresarial e o desenvolvimento económico do país.
“A realização deste evento, que combina debates profundos com uma vibrante feira de agronegócio, demonstra de forma inequívoca que o desenvolvimento local começa com ações directas, conscientes e proativas das autoridades locais”, sublinhou.
Durante o seu discurso, Massingue apelou ao governo para que adopte políticas públicas inclusivas e promotoras do investimento, com destaque para a criação de incentivos atrativos, a desburocratização do acesso ao DUAT (Direito de Uso e Aproveitamento da Terra) e a celeridade nos processos que permitem a operacionalização de negócios no país.
“A todos os empresários nacionais e internacionais, deixo um convite: vamos, juntos, transformar os desafios em oportunidades. Moçambique, e particularmente a província de Nampula, pode e deve tornar-se um centro de negócios sustentáveis, inclusivos e socialmente responsáveis”, concluiu.
Por Agostinho Miguel