As cheias que assolam várias regiões do país continuam a deixar marcas profundas na vida das famílias moçambicanas, com impactos directos no sector da Educação. Perante a dimensão dos estragos provocados pelas inundações, o Governo decidiu adiar o início do ano lectivo em todo o território nacional.
Segundo dados oficiais, mais de 600 pessoas foram afectadas, registando-se óbitos, 45 feridos e quatro desaparecidos. A força das águas destruiu parcial ou totalmente milhares de habitações: 3.447 casas ficaram danificadas e 701 foram completamente destruídas, deixando centenas de famílias sem abrigo.
As infra-estruturas sociais também não escaparam à fúria das cheias. Pelo menos 229 unidades sanitárias e 1.336 quilómetros de estradas ficaram inundados, dificultando o acesso aos serviços básicos e a circulação de pessoas e bens.
No sector da Educação, o impacto é considerado severo. 401 escolas foram afectadas, das quais 281 salas de aula ficaram totalmente destruídas. Em várias zonas, as escolas deixaram de cumprir a sua função pedagógica para se transformarem em centros de acomodação: 80 unidades escolares acolhem actualmente populações deslocadas.
Como consequência directa, cerca de 427.289 alunos e 9.284 professores viram o seu calendário escolar comprometido. Face a este cenário, o Conselho de Ministros deliberou o adiamento do início das aulas, inicialmente previsto para 30 de Janeiro, passando para 27 de Fevereiro, numa medida aplicada a nível nacional.
O Executivo reconhece que o regresso às aulas só será possível quando estiverem reunidas condições mínimas de segurança e funcionamento das escolas. Entretanto, os custos preliminares para a reconstrução das infra-estruturas destruídas ultrapassam 644 milhões de dólares, um valor que evidencia a dimensão do desafio que o país enfrenta na fase de recuperação.
Enquanto decorrem as avaliações no terreno, as autoridades apelam à calma da população e garantem que estão em curso esforços para restaurar as condições necessárias ao relançamento do ano lectivo.Redacção

