O Governo de Moçambique reconhece que não dispõe de recursos suficientes para responder, com a urgência exigida, à crise humanitária provocada pelas cheias e inundações que assolam várias regiões do país. Para assistir cerca de 515 mil pessoas, o Executivo estima um défice financeiro de 6,6 mil milhões de meticais, valor considerado crítico para garantir alimentação, cuidados de saúde e apoio social às famílias desalojadas.
O alerta foi feito pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, no fim da primeira sessão ordinária do Conselho de Ministros de 2026. Segundo explicou, o montante em falta compromete o reforço da assistência humanitária nos centros de acomodação, sobretudo nas áreas de saúde pública e segurança alimentar, onde a pressão cresce à medida que a época chuvosa avança.
Dados oficiais do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) traçam um retrato preocupante da dimensão do impacto: 97.340 famílias foram afectadas em todo o território nacional até 19 de Janeiro. As cheias deixaram um rasto de destruição que inclui 728 casas totalmente destruídas, 2.700 parcialmente danificadas e mais de 62 mil residências inundadas, além de prejuízos em 43 unidades sanitárias e 88 salas de aula.
Apesar da emergência, a reunião do Conselho de Ministros não se concentrou apenas na crise climática. O Executivo aprovou o decreto que estabelece as regras de execução do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) 2026, procurando assegurar o funcionamento normal da máquina do Estado num contexto de forte pressão financeira.
No plano da cooperação internacional, foi ratificado um acordo de crédito com o Banco Islâmico de Desenvolvimento, no valor de 19,5 milhões de dólares, destinado ao fortalecimento do sistema nacional de saúde. O Governo aprovou ainda um acordo de cooperação com a Argélia no domínio da segurança pública, assinado durante a visita oficial do Presidente Daniel Chapo àquele país.
Enquanto acordos e decretos avançam, milhares de famílias continuam a viver entre a incerteza e a dependência da ajuda humanitária, à espera que o défice financeiro identificado pelo próprio Governo não se transforme num défice de respostas no terreno.

