O presidente do partido ANAMOLA, Venâncio Mondlane, realizou esta semana uma visita ao distrito da Manhiça para avaliar no terreno a situação das populações afectadas pelas inundações provocadas pelas chuvas intensas que assolam o país. Mondlane fez-se acompanhar da primeira-dama, Francelina Mondlane, e de uma comitiva partidária, no âmbito de acções de solidariedade e apoio humanitário.
A deslocação deu seguimento a um compromisso público assumido no dia anterior e incluiu visitas a locais críticos ao longo do troço Manhiça–03 de Fevereiro, actualmente severamente condicionado pelas cheias. Uma das primeiras paragens foi a Igreja Baptista da Manhiça, instituição que tem acolhido viajantes e famílias impedidas de prosseguir viagem após a interdição da estrada nacional naquele ponto. Segundo a comitiva, a visita visou reconhecer o papel da igreja na assistência humanitária, ao garantir abrigo e apoio básico a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Mondlane esteve igualmente na Escola Secundária 03 de Fevereiro, convertida em centro de acomodação temporária para famílias desalojadas. No local, manteve contacto directo com as vítimas, ouviu relatos de perdas materiais totais e procedeu à entrega de kits alimentares. O líder partidário dirigiu ainda uma mensagem às equipas do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres presentes no local, defendendo que a protecção da vida humana deve constituir prioridade absoluta em contextos de calamidade.
Durante a visita ao principal ponto de bloqueio entre a Manhiça e a província de Gaza, na zona do 03 de Fevereiro, Mondlane afirmou ter constatado uma presença predominante de forças policiais e de segurança armada, em contraste com a limitada actuação de equipas especializadas de emergência e salvamento.
A jornada culminou em Mauchahumo, uma das áreas mais afectadas pelas inundações. Segundo relatos da população local, estariam a ocorrer práticas consideradas abusivas, incluindo a cobrança de cerca de 500 meticais por pessoa para evacuação em embarcações alegadamente disponibilizadas pelo governo e pelo INGD, bem como o desvio de alimentos e a venda de água a preços elevados, num contexto de emergência humanitária.
Em declarações à imprensa, Venâncio Mondlane afirmou que dados do Instituto Nacional de Meteorologia já indicavam, desde Setembro de 2024, a probabilidade de ocorrência de uma situação calamitosa entre Janeiro e Março de 2026. Ainda assim, segundo o político, não teria sido implementado um plano de contingência nem efectuadas evacuações preventivas, expondo as comunidades ao risco.
O líder da ANAMOLA defendeu que, ao longo de mais de cinco décadas de independência, Moçambique recebeu avultados recursos financeiros para diversos sectores, sem que se tenha verificado investimento consistente na prevenção e mitigação de desastres naturais. Para Mondlane, a crise em Manhiça resulta não apenas das chuvas intensas, mas também de falhas estruturais, ausência de planeamento e negligência do Estado.
A visita, concluiu, reafirma a posição do seu partido de que a solidariedade deve traduzir-se em acções concretas no terreno, sobretudo em momentos de maior vulnerabilidade social.
