O Conselho Municipal da Cidade de Lichinga denunciou alegados actos de vandalização contra os novos autocarros do serviço público urbano, afirmando que algumas das ocorrências poderão estar relacionadas com a resistência de operadores de taximoto, que receiam perder clientes com a entrada em funcionamento do novo sistema de transporte.
Pedro Fabião
A denúncia foi feita na última sexta-feira (31) pelo presidente do Conselho Municipal, LuÃs Jumo, durante o lançamento das celebrações do 64.º aniversário da cidade de Lichinga, que se assinala a 23 de Setembro.
Segundo o edil, os incidentes têm sido registados em diferentes corredores servidos pelos autocarros municipais, incluindo as rotas Naluila–Ntoto, Assumane–Unirovuma e Chiulugo–Unirovuma.
LuÃs Jumo afirmou que alguns operadores de taximoto encaram os novos autocarros como uma ameaça à sua actividade económica, embora considere que ambos os meios de transporte podem coexistir e responder a diferentes necessidades dos utentes.
“Eles sentem que podem perder o pão de cada dia. Mas os autocarros não circulam a toda a hora nem chegam a todos os locais. Quem tem urgência continuará a recorrer ao taximoto”, afirmou.
O presidente do municÃpio disse que, até ao momento, os ataques, alegadamente praticados através do arremesso de pedras e outros objectos, não provocaram consequências graves, graças, segundo afirmou, à prudência demonstrada pelos motoristas.
“Esta situação não acontece apenas em Assumane. Também se verifica noutros bairros da periferia por onde passam os nossos autocarros”, declarou.
Perante este cenário, LuÃs Jumo apelou à colaboração dos munÃcipes na protecção dos meios de transporte públicos, sublinhando que a sua introdução permitiu reduzir significativamente os custos de deslocação para milhares de cidadãos.
Segundo explicou, trajectos que anteriormente custavam entre 150 e 250 meticais em mototáxi passaram a ser efectuados por cerca de 20 meticais nos autocarros municipais.
O edil revelou ainda que a arrecadação diária das receitas do serviço varia entre oito mil e 20 mil meticais, sendo as rotas Naluila–Ntoto e Assumane–Unirovuma as mais procuradas pelos passageiros.
Paralelamente, garantiu que a edilidade continuará a investir na melhoria das vias de acesso, através da colocação de pavê e reabilitação de estradas com recurso a saibro, de modo a assegurar a circulação regular dos autocarros durante todo o ano.

Semáforos também na mira de vândalos
Além dos ataques aos autocarros, LuÃs Jumo manifestou preocupação com a vandalização de semáforos instalados em diferentes pontos da cidade.
“Dizem que é um demente, mas pergunto: será que esse demente só se irrita com semáforos? Nós vamos continuar a repará-los e a instalar novos equipamentos”, afirmou.
O edil anunciou que ainda este ano serão instalados novos semáforos no entroncamento da Avenida Julius Nyerere com a zona do Quilómetro 15, no acesso ao Estádio 1.º de Maio.
Apelou igualmente aos comerciantes, taxistas e demais cidadãos para denunciarem comportamentos suspeitos junto das autoridades, de forma a prevenir actos de vandalismo contra o património público.
Novas obras previstas
Durante a cerimónia, LuÃs Jumo anunciou igualmente que decorrem obras de pavimentação em várias vias da cidade, incluindo a estrada que liga a zona da Casa Abrão ao bairro Josina Machel (Changanane), bem como trabalhos de melhoramento da ligação entre os bairros Lucheringo e 23 de Setembro.
O municÃpio prevê ainda iniciar, este ano, a construção de dois centros de saúde do tipo II, nos bairros de Mutapassa e Naluila.
As celebrações do 64.º aniversário da cidade de Lichinga deverão culminar a 23 de Setembro, com inauguração de infra-estruturas públicas, festival cultural, actividades gastronómicas, literárias e competições desportivas envolvendo os 15 bairros do municÃpio. Pedro Fabião
