“Ouro líquido”: Nampula mobiliza 50 mil mães para proteger bebés através do leite materno

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Cerca de 50 mil mães e recém-nascidos deverão beneficiar, nos próximos dias, de uma campanha de promoção do aleitamento materno exclusivo na província de Nampula, no âmbito da Semana Mundial do Aleitamento Materno, assinalada entre 1 e 7 de Agosto.

A iniciativa, promovida pelo sector da Saúde, pretende reforçar a sensibilização das famílias sobre a importância do aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, período considerado decisivo para o crescimento e desenvolvimento saudável da criança.

Durante uma conferência de imprensa, a nutricionista do Hospital Central de Nampula, Bibiana Cebes, explicou que o aleitamento materno exclusivo consiste em alimentar o bebé apenas com leite materno desde o nascimento até aos seis meses, sem introdução de água, chás ou qualquer outro alimento.

Segundo a especialista, o leite materno fornece todos os nutrientes necessários ao desenvolvimento da criança e desempenha um papel fundamental na prevenção de infecções e outras doenças.

“O leite materno contém tudo o que o bebé precisa, tanto para o desenvolvimento físico como para o desenvolvimento psicológico, além de reforçar a imunidade nos primeiros meses de vida”, afirmou.

Apesar dos benefícios amplamente reconhecidos, a nutricionista alertou que persistem crenças culturais que continuam a comprometer a prática do aleitamento materno exclusivo.

Entre os exemplos, destacou a convicção de que os recém-nascidos necessitam de água, sobretudo durante os períodos de calor.

“Muitas pessoas acreditam que o bebé precisa de beber água, mas isso não corresponde à realidade. O leite materno já contém a quantidade de água suficiente para manter a criança hidratada”, esclareceu.

Bibiana Cebes chamou igualmente a atenção para o colostro, o primeiro leite produzido após o parto, frequentemente rejeitado por algumas famílias devido a crenças tradicionais.

“Há quem considere que o colostro é um leite sujo e o deite fora. Pelo contrário, é um leite extremamente rico em anticorpos e representa uma das primeiras formas de protecção da criança. É o que chamamos de ouro líquido”, explicou.

A especialista defendeu que a amamentação deve iniciar-se preferencialmente na primeira hora após o nascimento, contribuindo para reduzir o risco de complicações e fortalecer o vínculo entre mãe e filho.

Além dos benefícios para o bebé, o aleitamento materno favorece igualmente a recuperação da mulher após o parto, ajudando na contracção do útero e reduzindo o risco de hemorragias.

A nutricionista aconselhou ainda as mães a manterem uma alimentação equilibrada, boa hidratação e amamentação frequente, factores que contribuem para uma produção adequada de leite.

“Quanto mais o bebé mama, maior tende a ser a produção de leite”, sublinhou.

Banco de leite continua nos planos

Durante o encontro, Bibiana Cebes revelou que o Hospital Central de Nampula continua a trabalhar na criação de um banco de leite materno, projecto destinado a apoiar recém-nascidos cujas mães, por razões clínicas, não conseguem amamentar.

Enquanto o serviço não entra em funcionamento, cada caso continua a ser avaliado individualmente, recorrendo-se a fórmulas infantis apenas quando o aleitamento materno não é possível.

“As fórmulas devem ser utilizadas apenas quando não existe outra alternativa, porque a sua preparação inadequada pode representar riscos para a saúde da criança”, alertou. Agostinho Miguel

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