O número de crianças internadas por desnutrição no Hospital Central de Nampula diminuiu no primeiro semestre de 2026, comparativamente ao mesmo período do ano passado. Contudo, apesar da redução dos internamentos, o número de óbitos aumentou, uma realidade que, segundo especialistas da unidade sanitária, está associada à chegada tardia dos pacientes em estado clínico já muito agravado.
Redacção
Dados apresentados pela pediatra Amália Raquel, do Departamento de Pediatria do Hospital Central de Nampula, indicam que, entre Janeiro e Junho de 2025, a unidade sanitária internou 481 crianças com desnutrição. No mesmo período deste ano, o número baixou para 316.
Apesar desta redução, os óbitos aumentaram de 19 para 21 casos.
Segundo a médica, o agravamento da mortalidade está relacionado, sobretudo, com o facto de muitas crianças chegarem ao hospital apenas quando a doença já se encontra numa fase avançada, reduzindo as possibilidades de recuperação.
“Esse aumento de óbitos deveu-se, em primeiro lugar, à chegada tardia dessas crianças à unidade sanitária. Muitas chegam já com várias complicações, o que dificulta o tratamento”, explicou.
Amália Raquel recordou que o elevado número de internamentos registado em 2025 esteve também relacionado com o afluxo de famílias deslocadas do conflito armado em Cabo Delgado, muitas das quais encontraram abrigo no Centro de Reassentamento de Maratane e noutras zonas da cidade de Nampula.
Segundo a especialista, muitas crianças provenientes desses centros chegavam igualmente em estado grave, exigindo cuidados especializados.
Embora o número de internamentos tenha diminuído este ano, a pediatra alertou que isso não significa uma melhoria do estado nutricional das crianças, uma vez que muitas continuam a chegar ao hospital com complicações severas.
Prevenção começa antes do nascimento
A médica defendeu que a desnutrição infantil pode ser amplamente prevenida através do acompanhamento adequado da mulher durante a gravidez e da vigilância regular da criança após o nascimento.
“Podemos prevenir a desnutrição acompanhando correctamente a mulher grávida e a criança depois do nascimento. Infelizmente, muitas mulheres iniciam as consultas pré-natais, mas acabam por abandoná-las antes do parto”, afirmou.
Segundo Amália Raquel, as consultas de crescimento, a pesagem periódica e o cumprimento do calendário de vacinação permitem identificar precocemente sinais de desnutrição e orientar as famílias sobre práticas adequadas de alimentação infantil.
A pediatra apelou igualmente ao reforço das acções de educação nutricional nas comunidades, defendendo que uma alimentação equilibrada nem sempre depende de elevados recursos financeiros.
“É importante reforçar a educação nutricional nas comunidades. Muitos alimentos necessários para uma dieta diversificada são produzidos pelas próprias famílias nas suas machambas”, sublinhou.
A especialista reiterou ainda a importância do aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida, apontando-o como uma das principais medidas para prevenir a desnutrição e reduzir a mortalidade infantil. Moniro Abdala

